A DOENÇA COMO CAMINHO DA ALMA

A doença é um caminho que pode ser percorrido, nem bom nem mau em si mesmo. O que fazer a respeito depende única e exclusivamente do afetado.
A vida neste mundo de opostos é necessariamente cheia de faltas e serve para que se reencontre o caminho de volta à unidade. Cada falta e cada sintoma significam elementos que faltam para a perfeição, transformando-se em oportunidades de desenvolvimento.
A oportunidade mesma não se encontra na interpretação de sintomas alheios e sim na interpretação dos próprios sintomas. Isso é dificultado pela onipresente cegueira de si mesmo. A problemática da projeção, nossa tendência de transportar tudo o que é incômodo e difícil para fora e lá também elaborá-lo e combatê-lo, prova ser prejudicial também no que refere à interpretação dos sintomas. Ao mesmo tempo que reconhecemos claramente o cisco no olho dos outros, de bom grado deixamos de ver a trave que temos no nosso.
Interpretar os sintomas da doença é trabalhar nas sombras e, justamente por essa razão, freqüentemente desagradável. Pode-se inclusive concluir a partir disso que as interpretações orais tropeçam na recusa espontânea. Se uma interpretação de repente parece agradável, ela ou não é correta ou, de qualquer forma, não é suficientemente profunda. Nesse caso, o mais simples é aprender com os sintomas alheios e então aplicar esses conhecimentos em si mesmo. O conceito somente adquire sentido como conseqüência desse difícil passo. Mas então ele transforma-se em um verdadeiro caminho de auto-conhecimento e auto-realização.
A sombra consiste portanto de tudo aquilo que não percebemos e não aceitamos, e que
gostaríamos de não ver. Em posição diametralmente oposta está o Ego, que consiste de tudo aquilo que aceitamos em nós e com o qual nos identificamos. Neste sentido, não há nenhum Ego nem nenhum ser humano que se alegre ao reencontrar os temas acumulados na sombra.
Como, entretanto, a sombra é uma parte necessária de nossa totalidade, somente podemos tornar-nos sãos, no sentido de íntegros, através justamente de sua integração. Uma pessoa inteira consiste de ego e sombra.
Os dois juntos resultam no “si mesmo”, ou self, que representa a pessoa integrada, que realizou a si mesma. A aceitação e a elaboração dos temas da sombra materializados nos sintomas é conseqüentemente um caminho de busca de si mesmo.

CONTINUA…….

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